
LIVE RUN Natal 2026 . 5km
A etapa da LIVE RUN Natal foi uma daquelas corridas que marcam mais pela batalha travada durante o percurso do que pelo resultado no final. E olha que o resultado veio forte: 1º lugar na categoria, 6º lugar geral e 18min06seg nos 5km. Mas, dessa vez, o relógio foi apenas parte da história.
Quem corre na UFRN sabe que aquele percurso não oferece trégua. As subidas castigam do início ao fim e obrigam qualquer atleta a correr no limite o tempo inteiro. Só que, além das ladeiras tradicionais, a prova ainda trouxe chuva pesada, asfalto escorregadio e um percurso extremamente congestionado, cheio de participantes caminhando e dificultando qualquer tentativa de manter o ritmo encaixado, pois corríamos em zigue-zague.
Desde os primeiros metros já era evidente que seria um dia de sobrevivência.
Mas o momento que realmente mudou a corrida aconteceu ainda no primeiro quilômetro, bem na rotatória da Escola de Música.
Enquanto tentava me sustentar no pelotão da frente, uma participante (que acredito ser PCD) abriu uma muleta na sua mão esquerda exatamente no instante em que eu passava ao lado. Foi questão de centímetros. A muleta quase travou nas minhas pernas e, para evitar uma queda violenta, precisei frear bruscamente, praticamente parar no meio da prova. O choque quebrou completamente meu ritmo e me fez perder contato com o grupo da frente.
Em uma prova de 5km, isso é devastador.
Cada segundo perdido parece virar uma eternidade. O pelotão ficou distante e no momento que eu teria que ganhar velocidade novamente a adrenalina despenca e a cabeça começa a entrar em conflito. E foi exatamente isso que aconteceu.
A verdade é que, depois daquele momento, eu corri praticamente a prova inteira lutando contra a vontade de desistir.
A cada quilômetro vinha o mesmo pensamento: “não vai dar”. O ritmo tinha quebrado, o psicológico tinha sido abalado e ainda havia chuva forte, curvas escorregadias e subidas intermináveis pela frente. O corpo seguia avançando, mas a mente travava uma guerra silenciosa o tempo inteiro.
Só que existe algo que o esporte ensina repetidamente: às vezes, continuar é a maior vitória possível.
Então fui seguindo. Uma ultrapassagem de cada vez. Uma subida de cada vez. Tentando reconstruir a prova no meio do caos. Sem pensar em pódio, sem pensar em tempo, sem pensar em colocação. Apenas recusando a ideia de parar.
E foi justamente aí que a corrida ganhou outro significado.
Na volta dos 2,5km, um participante que já vinha há algum tempo logo atrás de mim acelerou e me ultrapassou. Ali, todo o episódio do início da prova tinha sido substituído por um novo objetivo: recuperar aquela posição perdida na virada. E foi justamente aí que a mente voltou a funcionar. Consegui apertar novamente, encaixar o ritmo e passar o cara de volta, mas ele permaneceu próximo pressionando logo atrás. Só que, na rotatória do setor de Biociências, ele simplesmente “cortou caminho” e entrou pela via da contramão. Na hora, achei até que ele tinha desistido, porque sumiu completamente da minha visão. Mas não. Alguns metros depois, reapareceu vindo da outra pista e voltou exatamente na minha frente. Pois bem… eu não ia deixar ele ganhar minha posição nessa “trapaça”, né!? Respirei fundo, ignorei o desgaste e apertei forte para passar novamente. Passei, e quando contornava a fatídica rotatória da Escola de Música ainda consegui avistar o 4º e o 5º colocado mais à frente – só que já não dava mais para buscar…
Porque cruzar aquela linha de chegada não teve gosto apenas de resultado. Teve gosto de reação. De resistência. De superação mental.
Quando vi o cronômetro marcando 18min06seg e o resultado confirmando o 6º lugar geral e o título da faixa etária, veio aquela sensação difícil de explicar para quem não vive o esporte: a certeza de que valeu a pena insistir quando tudo dentro da cabeça mandava parar.
Como prêmio extra, a vitória na categoria ainda garantiu 100% de desconto na inscrição da próxima edição da LIVE RUN Natal. Mas o maior ganho foi outro: perceber que o ritmo continua lá, que a evolução segue acontecendo e que ainda existe muita margem para buscar voos maiores.
Saio dessa prova mais motivado do que nunca.
Porque, no fim das contas, nem toda corrida é sobre correr leve. Algumas são sobre resistir. E talvez sejam justamente essas as que mais fortalecem um atleta. 🏃🏽♂️🔥🏆


