
Campeão da SelfRun 5km: vitória, estratégia e a confirmação de uma grande fase
No último domingo, subi ao lugar mais alto do pódio da SelfRun 2026. Foram 5 quilômetros percorridos em 17min 55seg, tempo suficiente para conquistar o título de campeão geral da prova e garantir um prêmio que tornou essa disputa ainda mais especial: um ano de academia grátis.
Mas a verdade é que essa vitória começou muito antes da largada.
Nas últimas semanas, toda a preparação esteve voltada para um período extremamente importante da minha temporada. A participação no Desafio 15km da Corrida do SESC, onde encarei 10km pela manhã e mais 5km à tarde no mesmo dia, trouxe uma carga física e mental que serviu como base perfeita para a SelfRun. Foram treinos consistentes, volume adequado, intensidade controlada e a certeza de que o trabalho estava sendo construído da maneira correta.
Após o SESC, iniciou-se o período de polimento. A sensação era excelente. Os treinos encaixaram perfeitamente, o corpo respondeu bem às cargas e a confiança crescia a cada dia. Tudo indicava que eu chegaria competitivo para a prova.
Porém, corrida de rua também é imprevisibilidade.
Na sexta-feira, apenas dois dias antes da competição, durante um treino sob chuva na ciclovia em frente à unidade Selfit da Moema Tinoco, acabei colidindo com uma bicicleta. O impacto causou um forte susto e um estalo na região cervical. Por alguns instantes, a preocupação tomou conta. Afinal, ninguém quer ver semanas de preparação comprometidas às vésperas de um objetivo importante.
A solução foi agir rapidamente. Entrei na academia, realizei alongamentos, exercícios de fortalecimento e passei o restante do dia monitorando a situação. Felizmente, acordei no sábado sem dores significativas e com condições de competir. O susto havia passado.
Chegou então o dia da prova.
Na Arena das Dunas, local da largada, o clima era de expectativa. Fiz meu aquecimento normalmente, observei os principais adversários e procurei manter a concentração apenas naquilo que estava sob meu controle.
A estratégia estava definida antes mesmo do tiro de partida.
Eu sabia que precisava assumir a liderança cedo. A ideia era impor um ritmo forte desde os primeiros metros, abrir vantagem gradualmente e obrigar os concorrentes a correrem acima da zona de conforto para tentar acompanhar. Em provas curtas, o aspecto psicológico pesa tanto quanto a preparação física. Muitas vezes, quando um atleta consegue estabelecer uma distância logo no início, a confiança aumenta de um lado e a pressão cresce do outro.

Foi exatamente o que aconteceu.
Desde a largada, consegui imprimir o ritmo planejado e assumir a ponta da corrida. Aos poucos, a vantagem foi aumentando e o controle da prova ficou cada vez mais confortável. A partir daquele momento, o objetivo passou a ser administrar o esforço sem permitir qualquer aproximação dos adversários.
Cruzei a linha de chegada em primeiro lugar geral, registrando o tempo de 17min55s e confirmando uma vitória construída com inteligência, disciplina e muita dedicação ao longo dos meses.
Esse resultado tem um significado ainda maior quando olho para toda a temporada. Com a conquista da SelfRun, chego à minha quarta vitória em 2026. É, sem dúvida, o ano mais vitorioso da minha trajetória na corrida de rua até aqui.
Cada prova traz aprendizados diferentes. Algumas ensinam através das dificuldades, outras através dos resultados. A SelfRun reuniu um pouco dos dois. Houve preparação, houve imprevisto, houve estratégia e, felizmente, houve recompensa.
Nem tudo foi perfeito. A organização optou por realizar apenas a premiação geral no dia do evento, deixando os atletas da categoria Alunos para uma entrega posterior dos troféus. Isso acabou tirando parte da emoção do momento, especialmente para quem conquistou posições de destaque. A foto do pódio logo após a chegada é uma lembrança importante para qualquer corredor e poderia ter sido melhor valorizada.
Ainda assim, esse detalhe não diminui a satisfação pelo resultado alcançado.
Agora o foco muda de direção. A partir daqui, a atenção se volta para as provas mais longas do segundo semestre. O objetivo é aumentar gradualmente o volume de treinamento, evoluir ainda mais como atleta e continuar construindo uma trajetória consistente dentro da corrida de rua.
Mais uma página foi escrita.
E o melhor é saber que a história ainda está longe de terminar.


